Nem todo texto é uma conversa, mas toda conversa envolve um texto, escrito ou não. E você melhora a sua escrita quando faz do seu texto uma boa conversa. Como? Perguntando, prestando atenção às respostas e fugindo à tentação de querer enfeitar o que não precisa.
Direto ao ponto
Perguntas abertas
Por que você acha que o seu texto não está fluindo como você gostaria?
Não, essa pergunta não está colocada aqui por causa do marketing de conteúdo, não. Ela está aqui porque eu quero conversar com você e estou interessado em saber por que você acha que o seu texto não está bom.
E uma pergunta assim estimula uma conversa sobre esse tema muito mais do que uma curta e grossa: gosta do seu texto? Para uma pergunta assim, virá um sim ou um não como resposta, e uma cansativa entrevista de emprego.
Escrever é conversar. É claro que você vai se adaptar ao contexto, à pessoa, mas o objetivo sempre vai ser entender e ser entendido.
Mas, afinal, o que é um bom texto para você?
Olha, pena que a gente não está tomando um café agora e conversando sobre produção de textos, hein. Mas isso não vai ser um problema, não, porque tenho aqui uma maneira de contornar essa impossibilidade geográfica de momento.
Você pode me enviar um e-mail, puxar um papo pelo WhatsApp e esse texto, essa conversa, vai fluir com a mesma naturalidade.
E por que isso soa tão bem? Porque parece uma conversa, porque é uma conversa. E numa boa troca de ideias, a gente faz perguntas, demonstra interesse no que o outro fala, acalma o ego; a gente aprende.
E quando você percebe que um texto nada mais é do que um bate-papo com quem vai ler aquilo que você escreveu, você entendeu tudo.
Simplicidade
Não sei você, mas eu acho um porre conversar com quem fica floreando muito o que fala ou o que escreve. E pensar assim não diminui o meu conhecimento, a minha curiosidade e o meu domínio intelectual dos assuntos. Pelo contrário. Simplesmente, não curto exibicionismo gratuito.
Uma das principais lições — se não tiver sido a principal lição — que recebi na faculdade de jornalismo, foi que o nosso ofício é comunicar e ser entendido por todos, sem juízo de valor.
E nem o mais otimista dos policiais gramaticais/estilísticos vai concordar com a premissa de que dizer com 15 palavras o que você puder dizer com 5 tornará uma conversa mais eficaz.
É claro que é importante expandir o vocabulário sempre que possível consumindo bons conteúdos. Isso não apenas enriquece o repertório de assuntos e de argumentos, como ajuda a desenvolver o raciocínio lógico.
Agora, se escrever uma missiva ou uma carta é a mesma coisa, e todo mundo sabe o que é uma carta, mas nem todos estão familiarizados com o significado da palavra missiva, para quê complicar? Apenas para mostrar que conhece um termo pouco utilizado?
Respeite o contexto ao escrever, mas nunca abandone o objetivo da escrita, que é o mesmo de uma conversa: entender e ser entendido.
Frases curtas
Nada supera num texto uma frase curta, na ordem direta, com sujeito, verbo e predicado. Qualquer pessoa consegue fazer ou entender essa construção, mesmo que não saiba a definição de sujeito, de verbo ou de predicado.
Portanto, corte palavras, seja sucinto, use bem o que você sabe. Assim como a pessoa que fica tagarelando como se não houvesse amanhã é chata, o escritor verborrágico é enfadonho. Por quê? Porque ambos tornam a comunicação cansativa. Não seja essa pessoa.
Saiba que quem escreve bem, fala bem e pensa melhor ainda. E para conseguir fazer isso, palavras rebuscadas e frases longas não têm a menor serventia. Tenha empatia, sede de conhecimento e de simplicidade. É isso que melhora a sua escrita. Seja essa pessoa.