É sobre isso que vamos conversar agora, no momento presente. Você vai perceber como o foco no aqui e no agora ajuda a diminuir a ansiedade.
Mas, e o hoje, onde ele fica nessa história?
Direto ao ponto
Mudando comportamentos
Antes, um spoiler. Não adianta acordar e dizer: acordei e a partir de agora não sofrerei por ansiedade. Não funciona assim.
Mas há exercícios simples que você pode incorporar às atividades diárias e torná-los hábitos. E, o melhor, sem nenhum trabalho extra.
Para isso, basta você tomar consciência do ambiente em que estiver. A ferramenta para essa mudança será o seu dia. Como?
Você presta atenção, de verdade, quando está mastigando um alimento, ou quando a água do chuveiro cai sobre o corpo? Ou a sensação do toque dos dedos na tela do seu telefone?
Pois saiba que concentrar a atenção nessas pequenas ações é a chave que ajudará você a vivenciar o aqui e o agora.
Não é difícil, não, você vai ver.
Vivendo o momento presente
Vivencie o aqui e o agora. Não estamos em Star Wars. Não dá para nos teletransportarmos a realidades paralelas. Só conseguimos estar em um lugar por vez. Reflita sobre isso.

Bom dia
Ao acordar, antes de cair na tentação de pegar o celular para ler o último feed, curtir o último meme, participar das conversas que aconteceram enquanto você dormia, olhe ao redor, preste atenção ao dia. Tá chovendo? Tá sentindo calor? Permita-se estar, sentir e viver.
Levante-se e faça o caminho do quarto ao banheiro observando cada passo, a sensação dos pés tocando o chão. Perceba o gesto que faz para abrir a porta.
Tome o seu banho sentindo o toque da água em seu corpo, o perfume do sabonete, do shampoo.
Ao fazer isso, você vai notar algo extraordinário acontecendo. Vai perceber que sua cabeça não está sendo inundada por uma avalanche de pensamentos. Sabe por quê? Porque o seu foco estará nesses gestos simples.
O café da manhã
É comum sermos tomados desde o amanhecer por exemplos de pessoas “multifacetadas”, que “conseguem fazer quatro atividades ao mesmo tempo”.
Isso é lindo para o marketing pessoal. Mas, um segredo para você: viver desse jeito não é eficiente, e pode ser péssimo para a sua saúde.
Portanto, tome o seu café da manhã observando cada mordida que dá no alimento, sentindo cada sabor, cada textura, como se fosse a primeira vez que fizesse aquilo na vida.
Se você parar para pensar, tudo o que você faz, faz pela primeira e pela última vez ao mesmo tempo, porque o tempo nem pára, nem volta atrás. Logo, nNão se preocupe com o tempo. Preocupe-se consigo.
Vamos trabalhar?
Durante o trajeto para o compromisso diário, contemple o caminho, as pessoas, as paisagens que você deixa passar sem perceber.
Cada instante é único, quando você desliga o automatismo. Chegue ao lugar em que vai desenvolver suas atividades como se nunca tivesse estado lá antes.
Faça o que tiver que fazer com a alegria de uma criança que vai ao zoológico pela primeira vez e fica encantada com cada novidade descoberta. Isso acalma a mente e aquece a alma.
Uma noite tranquila
A volta para casa também não precisa ser feita ligando o piloto automático.
As luzes da cidade acesas criam uma outra perspectiva das paisagens. A temperatura muda. Engarrafou? Está demorando? Coloque aquela música que adora e preste atenção à letra, ao som de cada instrumento.
Isso não custa nada, até porque, vamos combinar, você não vai fazer a descoberta do século enquanto estiver parado no trânsito reclamando da demora, das buzinas e da vida.
Chegou em casa, à academia, ao restaurante? Algumas atividades até serão semelhantes àquelas da manhã, mas concentrado ali, naquele instante, tudo é novidade.
Vivendo automaticamente, a sensação parece ser de um eterno déjà vu, não é? Mas quando você se permite viver a atenção plena, cada segundo é uma nova vida à sua disposição. Experimente.
O resultado disso
No automático, não percebemos o quanto perdemos de vida, não prestamos atenção às nossas emoções. E as nossas lembranças estão intimamente ligadas às nossas emoções.
Logo, se passarmos pelos dias sem perceber, sem nos emocionarmos, nossos cérebros não irão registrar as sensações ligadas àquelas ocasiões.
Consequentemente, surgirá a armadilha criada pela ansiedade ou pela depressão, manifestada na tendência em jogar o holofote sobre as coisas ruins que criam uma visão distorcida da realidade, de que a vida não vale a pena ser vivida.
Isso acontece porque, como você não prestou atenção às pequenas coisas tão carregadas de significados, como o carinho no animalzinho de estimação, por exemplo, a tendência vai ser compreender a realidade apenas ao notar os problemas que surgem, porque eles, sim, chamam a atenção até dos multifacetados.
Fatalmente o Instagram vai aparecer para mostrar a você o quanto a grama do vizinho é mais bonita do que a sua, e o quanto a vida dele é mais feliz também.
Aprenda a gostar de fazer e de sentir o que acontece com você agora, e com isso diminua o seu estado de alerta constante. São dicas simples para ajudar você a mudar comportamentos. Mas elas não são curas milagrosas. Ansiedade e depressão são doenças sérias, exigem um tratamento bem estruturado.
Mas viver o aqui e o agora ajuda a reduzir o sofrimento e, em muitos casos, é o suficiente para proporcionar a sensação de bem-estar e relaxamento que essas doenças costumam encobrir.
Conclusão
Uma pessoa pode concluir cinco voltas ao mundo e voltar para casa sem ter uma história sequer para contar, porque não prestou atenção a nada além das selfies.
E por mais tentador que possa ser pensar que é perda de tempo prestar atenção aos pormenores que o cérebro dá conta de fazer automaticamente, tente aproveitar o dia. Carpe Diem! E aqui, essa frase não é um clichê, não, é um conselho. Viva o momento presente. Sinta a vida.
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